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De Arlete Deretti Fernandes
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Letras – Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa para obtenção do título de Bacharel em Letras
Graduanda: Arlete Brasil Deretti Fernandes Ao meu marido Martim Afonso, pelo apoio e companheirismo de todas as horas.
Agradecimentos
Franklin Cascaes por correspondência
Resumo Este trabalho de conclusão de curso apresenta a transcrição de dezesseis cartas autógrafas de Franklin Cascaes, correspondentes a quatro décadas: 1950, 1960, 1970 e 1980, integradas ao acervo «Coleção Profª Elizabeth Pavan Cascaes,» que faz parte do Museu Osvaldo Rodrigues Cabral da UFSC. Foi seguida a orientação metodológica para transcrições estabelecida pela Filologia, Ciência que objetiva aproximar-se o melhor possível da genuinidade dos documentos. Ao realizar-se a crítica textual foram resgatadas informações contidas nestes escritos sobre alguns fatos ocorridos na história da Ilha. Esta pesquisa acompanhou a grande luta do artista para que sua produção fosse acolhida por uma instituição, assim como acabou acontecendo. Por meio da disciplina Análise do Discurso, o discurso do escritor foi analisado desde o início de sua luta até a acolhida de sua obra pelo Museu Universitário. Introdução O meu contato com a Obra de Franklin Cascaes [1] deu-se há algum tempo, quando tive a oportunidade de conhecer seu acervo no Museu Universitário da UFSC por sugestão da Professora Doutora Zilma Gesser Nunes. Esta coleção encanta pela arte que brota natural e espontaneamente da alma e das mãos do artista e que se enriquece em múltiplas facetas. Cascaes foi mais do que um simples pesquisador, ele retratou o folclore da Ilha de Santa Catarina ouvindo o povo do interior, escrevendo contos, rezas e benzeduras populares, compondo poesias e cartas e também esculpindo e desenhando. Cascaes precisa ser analisado pelos pesquisadores como o grande artista que foi, qualidade encontrada em toda a sua obra; deverá ser valorizado para além do mito e da magia; será importante fazer-se manifestar o seu verdadeiro valor artístico - literário. O escritor foi designado e reconhecido através de vários adjetivos, como «o bruxo maior da ilha,» , «o precursor de uma história plural,», «o nostálgico artista que retrata o passado que lhe causa saudade». Estas referências acabaram restringindo o âmbito de leitura do artista e interpretando-o apenas como um mitólogo ou um folclorista. Os trabalhos de toda uma vida, Cascaes não teve pretensão de vendê-los. Somente através de muitos esforços e lutas foi que conseguiu doá-los ao acervo do Museu Universitário, conforme retratam as palavras do autor, citadas a seguir:
Para mim, amigo artista, a arte é um caminho inato colocado na vida de
alguns indivíduos pelo Criador do Universo, e o verdadeiro artista é
solitário, mas de dentro dos caminhos de sua solidão ele arranca os frutos
dos acontecimentos regionais do seu tempo e os entrega às massas para que
elas conduzam de geração em geração como um dos mais verdadeiros testemunhos
da verdade dos vestígios da humanidade através da passagem dos tempos.
O acervo de Franklin Cascaes denomina-se «Coleção Elizabeth Pavan Cascaes,»
como homenagem póstuma à esposa e principal incentivadora do artista. Toda a
obra de Cascaes encontra-se no Museu Universitário da UFSC. Em visitas a
este museu pude conhecer e admirar a complexidade da produção de Cascaes,
desenvolvida nas mais diversificadas expressões artísticas e gêneros
textuais, provenientes de um longo trabalho, amplo e variado, que abrange
desde a década de 40 até o início da década de 1980. O valioso e extenso
conjunto artístico - literário particulariza-se tanto pelo método operativo
quanto pelo processo criativo, porque Cascaes colheu da fonte popular a
matéria prima de sua produção. Cascaes lutava tendo como objetivo não se deixarem perder as histórias, os contos e os «causos» da cultura popular açoriana na Ilha de Santa Catarina. Os textos de Cascaes não possuem uma disposição linear, seus assuntos expandem-se em vários códigos da linguagem, como o desenho, a escultura e o texto escrito. Cascaes esforçou-se muito para deixar sua obra em um museu, com o intuito de que servisse de estudo para a posteridade.
O Professor Hermes José Graipel Júnior, Pesquisador da Divisão de Museologia
do Museu Universitário, fez-me uma interessante sugestão que acatei com
muito prazer. Analisar as mudanças do discurso de Cascaes antes e depois de
sua entrada para a Academia.
[1] Franklin Joaquim Cascaes nasceu em Itaguaçu, antigo
município de São José, a 16 de outubro de 1908. Professor do Ensino
Industrial Básico desempenhou em 1963, a função de Coordenador de Ensino.
Quanto à atuação artística, é significativa a exposição de Cascaes em 1959,
que a convite do Museu de Arte Moderna de Florianópolis, expôs um conjunto
de motivos folclóricos da Ilha. Igualmente é reconhecido em 1978 no circuito
artístico nacional, ao representar a arte catarinense na Bienal
Latino-Americana de Artes, realizada no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.
Em 1983 Franklin Cascaes falece em conseqüência de uma cirurgia de cálculo
renal.
Nota da Redacção: Este trabalho de Arlete Deretti Fernandes já foi publicado no jornal Raizonline em circunstancias e forma diferentes desta publicação: Na verdade foi apresentado no jornal uma nota sumária com remessa para um anexo contendo o restante do trabalho. Dada a diferenciação gráfica que é possível apresentar nesta data, fazendo em certo sentido dele uma primeira publicação (nesta forma) achámos por bem não o considerar na secção «Recordar o Raizonline - Trabalhos de números de arquivo».
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