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Poesia de Adelina Velho da Palma
A Alguém Hipócrita e Avaro; Mar Vermelho; O Inseto
A Alguém Hipócrita e Avaro
Finges sentir aquilo que não sentes
confiando na minha ingenuidade,
não imaginas que a realidade
é que eu percebo em rigor quanto mentes!...
Com alguns impulsos benevolentes
simulas certa generosidade,
mas escapas-te com habilidade
ficando tuas ofertas pendentes...
Só dás o que te sobra com largueza
depois de bem demonstrada a certeza
que dispensaste o que já te era inútil...
Malgrado o discurso espiritual
sobressai teu interesse material
e disfarçá-lo é expectativa fútil...
Adelina Velho da Palma
Mar Vermelho
Por teu amor de alto a baixo me abri
Mar Vermelho ante a vara de Moisés
e despojada assim de lés a lés
teu corpo e alma nos meus acolhi…
O que era meu em risos te ofereci
meu próprio sangue depus a teus pés
e na ânsia de ser como tu és
de quem eu era quase me esqueci…
Vieram ondas, ventos, tempestades…
Por este amor as forças exauri
à mercê das piores calamidades…
Por fim o tufão amainou por si…
Ficaste nos escombros, sem vaidades…
Julguei-me morta e… sobrevivi!...
Adelina Velho da Palma
O Inseto
soneto satírico de Adelina Velho da Palma
O Inseto
Teus olhos são ocelos de mosquito
talhados em polígonos cruéis,
tuas pernas, finas como cordéis
sustentam um enfezado corpito!...
Contudo, supões-te muito bonito
- o mais belo de todos os donzéis,
nem vês que de entre todos os papéis
o teu é o mais tolo e esquisito!...
Malgrado a tua dimensão franzina,
graças à carapaça de quitina
manténs uma estrutura das mais toscas...
Mas não és digno duma carabina!...
Hás-de morrer da forma mais cretina
calcado sob um reles mata-moscas!...
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