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Poesia
Por Arlete Deretti Fernandes
Missão do poeta (Texto curto); Criança (Poema); A ti, Poeta (Poema)
Missão do poeta
Para compreendermos melhor o que é o poético será bom entendermos
que a divisão da literatura em gêneros é apenas um expediente
didático-classificatório. Não é o verso o único veiculador de
poesia. O caráter poético pode amalgamar-se com o narrativo, o
dramático, o épico, em qualquer forma ou estrutura literária.
Literatura é comunicação. A arte literária objetiva a comunhão entre
os seres humanos. E o desenvolvimento e aperfeiçoamento desta arte
vamos adquirindo com o nosso esforço, o tempo, o estudo e a boa
vontade.
Já que poesia é comunicação, a missão do poeta é comunicar os
próprios sentimentos e emoções e os apelos da razão e da
sensibilidade. A própria maneira de ver e interpretar tudo o que
está à sua volta, com dignidade e ética na busca de princípios de
paz, de justiça, de bondade, de denúncia, de amor, para que por suas
palavras possa refletir e levar alguém à reflexão.
Pela palavra e pela união de princípios e valores surgem as idéias
que podem melhorar o mundo à nossa volta.
Por isto escrevi sobre o poeta catarinense Lindolf Bell, falecido
ainda jovem
E que em décadas passadas criou um movimento de declamar os próprios
poemas em praças, teatros e vários lugares públicos. Lindolf fez
isto no Brasil e exterior e o fazia com um grande entusiasmo.
Lindolf Bell
(Leia a Biografia aqui)
Criança
Chegas
caminhando
sobre
um lírio
perfumado
da aurora da vida que uma
refrega sopra e deixa.
Tua graça me fascina,
Estrelinha cadente,
Que tão rapidamente
Passas, minha (meu) terna/o
Menina/o.
Es anjinho puro,
Moves asinhas brancas,
Ligeiras como sonhos
De crianças.
Do céu chegaste à
Terra.
Es amor, és
Amada.
Es o clarão
Do luar na
madrugada.
Quando conheces o
Dia e o sol,
E a cor das flores
E o azul do céu,
Como borboletinha
Esvoaçante,
Alças vôos ao léu.
A ti, Poeta
Levas na palheta de teus sentimentos
A cor e o brilho de todas as estrelas.
Do sol, a energia,
Do mar, a força,
Da Natureza as flores e pássaros coloridos.
A luz da aurora, quando desperta o dia,
O mistério do fresco vento
e da doce brisa
Que balança as árvores e acaricia os cabelos
Da jovem faceira que passa.
Sentimentos fluem de teu coração
Em lágrimas de saudades e de emoção,
Que vertem de teus olhos
em compaixão
Perante a tristeza do velho solitário,
E escorrem de teu rosto diante
da alegria inocente
das crianças,
Dos animais judiados,
Das plantas e do planeta vilipendiado.
Descem de teu olhar derramando-se
Luzes que se quebram
Em feixes de luz
coloridos,
Arco íris de Paz e de amor,
Paz que anseias para um mundo,
Onde a harmonia
prevaleça,
E o Amor seja aprendido
E aplicado a todos os seres viventes,
Só porquê és poeta e vives em uma dimensão
Onde teu cristalino alcança outros matizes
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