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Poesia de Conceição Tomé

 

Regato de Memórias; Africa Mãe Terra; Cavaleiro Andante  

 

Regato de Memórias

 

Aguas que passais cantantes
Por esse regato de memórias
Que guarda minhas estórias
E segredos inocentes
Quando o rouxinol cantava
Comigo ao desafio
E a cotovia escutava
Escondida no caminho
Sempre vinhas ter comigo
P’ra espreitarmos um ninho
Escondido entre o silvado
Que crescia emaranhado
Ao longo duma parede
Como o da poupa arrogante
Com seu cheiro nauseante
Feito de terra e excrementos
Que eu teimava em roubar
Mas tinha que o por de lado
Por não conseguir aguentar
O seu perfume afamado.

São Tomé

 

Africa Mãe Terra

 

Arco-íris absorve
O cheiro da terra
Assim que a chuva passa.

Quedas de águas barrentas
Arrastam sedimentos
De uma terra convulsiva.

Um remanso do rio
Entre verdes margens
Expõe a piroga
Com esguias silhuetas.

Manada de elefantes
Atravessando o rio
Incomoda os crocodilos

Contra a luz recortada
Uma onça esparramada
Fareja o silêncio do ar.

Na distância de um grito
Guerrilheiros esfarrapados
Fogem da sua infância.

Sombras da tarde
Lambem as dunas
E uma girafa toca o céu
Num purpúreo entardecer.

O antílope solitário
A sombra da espinheira
Faz explodir o céu em mil cores.

Coqueiros curvados
Beijam a orla do mar.
E a lua observa o pescador.

Liberdade solta na dança
E coro de meninos negros
A deixar a voz ao vento.

Mercados de rua
A rematar quentes pregões
E a misturar cores e sabores.

Meninas enfeitadas
De latas na cabeça
E saias esvoaçantes feitas de sisal.

Rostos pintados de branco
Mostram o instinto maternal
Da Africa Mãe Terra.

São Tomé

 

Cavaleiro Andante

 

Por ti,
Derrubei as altas muralhas do meu orgulho,
Para poderes atravessar livremente o meu caminho.
Para ti,
Abri as portas do meu coração
E ofereci-te a taça com o néctar do meu amor.
Mas tu,
Qual Cavaleiro Andante,
Não te detiveste nem só um pouquinho;
Talvez com medo de adormeceres no meu regaço
Ou te perderes nos labirintos do meu carinho.

São Tomé

 

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